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Ajor participa de audiência pública sobre sustentabilidade da comunicação social

por | nov 6, 2023

Evento foi promovido pelo Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional

A Associação de Jornalismo Digital (Ajor) participou nesta segunda-feira (06) de audiência pública que debateu a sustentabilidade da comunicação social no Brasil, realizada pelo Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional (CCS). A Associação foi representada por Carla Egydio, diretora institucional da organização.

Também participaram Celso Augusto Schröder, da Federação dos Jornalistas da América Latina e do Caribe  (FEPALC) e Rafael Menin Soriano, da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER). A mesa foi mediada por Miguel Matos, presidente do CCS, com a presença de Patrícia Blanco, presidente-executiva do Instituto Palavra Aberta e vice-presidente do CCS.

Representando a Ajor, Carla Egydio abriu as falas apresentando a Associação, sua atuação e as características do campo. Egydio apontou a presença representativa de organizações sem fins lucrativos entre os associados à Ajor, o que mostra, segundo ela ressaltou, uma diferença na compreensão do próprio jornalismo e de seus propósitos. Também destacou a inovação nos formatos jornalísticos feito por essas organizações e a forte presença de veículos locais e iniciativas que cobrem direitos humanos. 

“Um dos principais problemas do jornalismo no país é a cobertura jornalística local. Vivemos um cenário no qual muitos municípios não contam com cobertura jornalística. O fortalecimento deste jornalismo local é de extrema importância para a pluralidade da informação e também para o combate a estes desertos de notícias”, disse.

Egydio recordou que, apesar de ser um importante pilar para o fortalecimento da democracia e para o combate à desinformação, não há uma política pública voltada ao fortalecimento do jornalismo no Brasil. Disse ainda que o debate atual sobre financiamento do jornalismo está centrado  na remuneração dos conteúdos pelas plataformas digitais. 

“A Ajor acredita que as plataformas devem remunerar pelo conteúdo jornalístico na medida que usam esse jornalismo. Hoje a relação entre jornalismo e sua audiência é intermediada por essas plataformas”, afirmou.

Ela também relembrou os modelos de remuneração do jornalismo por big techs que vêm sendo debatidos no mundo, como o da Austrália e do Canadá. “No Brasil, temos que pensar em formas de garantir que veículos menores tenham poder de negociação, mas também precisamos pensar em mecanismos para garantir o acesso à informação”, explica.

A Ajor é uma das organizações signatárias do documento “Big Tech e Jornalismo: princípios para uma remuneração justa”, que propõe diretrizes para o financiamento de conteúdos jornalísticos pelas grandes plataformas digitais.

Em sua fala, Celso Augusto Schröder da FEPALC (Federação dos Jornalistas da América Latina e do Caribe) também destacou a importância do jornalismo para a democracia  brasileira e relembrou a iniciativa global da FIJ (Federação Internacional dos Jornalistas) de defender a taxação das plataformas para reverter a queda do investimento mundial nos veículos de imprensa, proposta adaptada à realidade brasileira pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). O objetivo é destinar os recursos para um fundo de apoio ao jornalismo.

“A crise do jornalismo é maior do que sua crise econômica e envolve esforço profissional, empresarial e estatal para qualificar a produção jornalística com a adoção de princípios éticos inquestionáveis e um treinamento técnico, acadêmico e universal”, afirmou. 

Rafael Menin Soriano, da Aner, por sua vez, relembrou os desafios da desinformação no Brasil, potencializada pelas grandes plataformas de tecnologia. “O jornalismo profissional tem um papel fundamental para a superação desses desafios, justamente porque é referência de conteúdo de qualidade para os leitores. Ele é o guardião e multiplicador do conhecimento certificado”, disse. Também destacou o alto índice de municípios considerados desertos de notícias, aqueles sem cobertura jornalística local, além do cenário em que diversos veículos jornalísticos acabam fechando por não alcançar a sustentabilidade financeira.

Em sua contribuição, Maria José Braga, conselheira do CCS, ressaltou a importância de falar sobre sustentabilidade para o setor: “O jornalismo profissional precisa de recursos humanos. Muito se fala sobre direitos fundamentais e a importância do acesso à informação, mas o financiamento deste jornalismo é deixado de fora da discussão. Se o jornalismo é necessário, devemos ter financiamento público para ele”. Ela também apontou para a complementaridade da proposta da FENAJ de criação de um fundo público com financiamento via Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) e a regulamentação da remuneração do jornalismo por parte das plataformas digitais. 

Já Davi Emerich, também conselheiro do CCS, chamou atenção para a necessidade de estabelecer parâmetros claros para a distribuição de recursos: “Temos que trabalhar em como vamos fortalecer com isso o jornalismo local, a mídia menor. Não adianta jogar dinheiro só para a grande mídia, pois o resultado será pífio”.

O também Conselheiro, João Camilo Junior defendeu a necessidade de um projeto de lei exclusivo para regulamentar a remuneração do conteúdo jornalístico pelas plataformas digitais. 

Em sua fala de conclusão, Celso Augusto Schröder, da  FEPALC, reforçou a necessidade de criação de mecanismos para a manutenção da imprensa de qualidade e defendeu a aprovação do projeto de fundo proposta pela Fenaj: “Sem um jornalismo potente e bem remunerado, não teremos uma democracia consistente. Em nome do futuro do Brasil e da democracia, precisamos fazer um esforço de agentes que estão envolvidos na produção jornalística para que esse projeto saia do papel”. 

Carla Egydio, da Ajor, ratificou a importância do jornalismo e lembrou a importância de que as iniciativas legislativas levem em consideração as características particulares do campo jornalístico.

Assista à audiência na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=PrP0Aq6igjY