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Jair Bolsonaro bloqueia jornalistas e veículos de comunicação de suas redes sociais

por | out 7, 2021

No fim de agosto deste ano, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) contabilizou 141 profissionais de imprensa bloqueados por 38 políticos ou autoridades do alto escalão. Entre eles, o presidente da República Jair Bolsonaro foi quem mais bloqueou jornalistas, totalizando 79 comunicadores e 6 organizações de mídia, das quais 4 são associadas da Ajor: Aos Fatos, Congresso em Foco, Repórter Brasil e O Antagonista.

De acordo com pesquisa realizada pela própria Associação, cerca de 98,6% das postagens de Bolsonaro visam divulgar ações do governo, desde pronunciamentos, mobilizações de militantes ou a promoção de outros canais de comunicação. Nas publicações, Bolsonaro também convida o público a participar de manifestações, reforça causas que fazem parte de sua pauta política, como a mudança do voto digital para o impresso e o tratamento precoce com o ‘kit covid”, além de se comunicar com outros chefes de Estado, como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citado 17 vezes em sua plataforma.  

A advogada Taís Gasparian, representante da Abraji em mandado de segurança impetrado em julho no STF sobre o tema também destacou posts de Bolsonaro como “assuntos de inquestionável interesse público” – entre eles as obras públicas, trocas no comando de ministérios, concessões de patrimônio público e operações de combate ao tráfico de drogas –, que foram levados a público por meio da conta do presidente da República no Twitter”. 

As petições da Abraji e a defesa do presidente foram encaminhadas à relatora do processo, a ministra Cármen Lúcia, do STF, que ainda não julgou o mérito. A advogada do presidente, Karina de Paula Kufa, alega que “o impetrado realizou uma série de publicações que nenhuma relação guarda com sua atividade política ou relativa ao Estado Brasileiro”.

A gerente de projetos da organização não governamental Transparência Brasil, Marina Atoji, citada na reportagem da Abraji sobre o tema, ressalta que qualquer dano ao acesso à informação é grande: “A partir do momento em que ele faz de suas redes sociais um dos principais canais de divulgação de suas ações enquanto agente público, o argumento de que são pessoais vai por água abaixo”, diz. Segundo ela, bloquear jornalistas assim como quaisquer cidadãos no Twitter é impor uma restrição ao acesso a informações de interesse público.