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O que as associadas à Ajor veem como prioritário para o jornalismo digital em 2024

por | out 19, 2023

Captação de recursos, distribuição de conteúdo e cobertura climática são alguns dos temas em foco para o jornalismo digital no próximo ano, segundo lideranças de veículos

Organizações associadas à Ajor se reuniram na última terça-feira (17) em uma edição especial da “Conversa em Off”, encontro exclusivo para membros, para debater as principais tendências e desafios do jornalismo digital para o próximo ano e colaborar com ideias para a construção do Festival 3i 2024

A conversa foi mediada pelo jornalista Moreno Cruz Osório, da Farol Jornalismo, newsletter semanal que, desde 2014, acompanha as transformações do campo jornalístico. Desde 2016, a organização reúne as principais perspectivas do setor em um especial  chamado “O jornalismo no Brasil”, com análises de profissionais e pesquisadores. Acesse o levantamento de todos os textos já publicados.

O encontro levantou debates desde o acesso a financiamento até a distribuição de conteúdo e cobertura climática. Conheça alguns tópicos:

Captação e distribuição de recursos

A fundadora da Marco Zero Conteúdo e presidente eleita do Conselho da Ajor, Carol Monteiro assinalou a importância da sustentabilidade financeira, com uma ideia centrada não apenas na captação de recursos, mas também em como organizar e gerir a distribuição destes dentro de uma organização, além de garantir o acesso de veículos de fora da região Centro-Sul do país a financiamentos. 

“De certa forma, percebemos que há recursos. Eles existem, mas normalmente ficam com as organizações do Sudeste. É uma discussão importante, inclusive dentro da Ajor: meios de fazer com que estes recursos cheguem à maior diversidade possível”, explicou.

A editora-chefe da Revista Alagoana Lícia Souto também destacou a necessidade de reinvenção dos modelos de negócio, tanto em fontes de recurso quanto editorialmente, adaptando-se às novas formas de consumo de informação pelo público. 

Nesse contexto de renovação da profissão, a diretora executiva da Ajor, Maia Fortes, recordou o trabalho da Associação no debate sobre políticas públicas de fomento ao jornalismo digital no país: “Precisamos trazer o tema de políticas que podemos ter de diversas formas, desde isenção fiscal, apoio para contratação CLT, facilitação para empréstimos e até a possibilidade de um fundo”. 

Dica de leitura: um meio importante de prospecção de parceiros e patrocinadores é a elaboração de um mídia kit, além de um funcionário dedicado à geração de receita. A Ajor listou o que não pode faltar nesse tipo de documento, a partir da experiência da Agência Mural.

Audiência nas plataformas digitais

As mudanças nos algoritmos das redes sociais e dos buscadores são alguns dos desafios colocados pelos veículos, já que cerca de 80% dos brasileiros consomem notícias online.  Compreender como driblar as alterações nos padrões das plataformas – e as consequentes quedas de audiência – e conseguir distribuir a informação é atualmente um dos focos das organizações.

Essa queda pode ser sentida em diversos tipos de coberturas jornalísticas, tanto investigativa, como contou a coordenadora de estratégias e operações do Intercept Brasil, Maria Teresa Cruz, quanto em nichos de entretenimento, compartilhado pelo editor-chefe e diretor do Notícias da TV, Daniel Castro. 

“Nosso veículo vive de audiência. O tema prioritário para a gente é sobretudo lidar com as quedas que aconteceram não só nas redes sociais, como também nos sites de pesquisa”, explicou Castro. “Fico refletindo sobre a possibilidade de uma proteção do jornalismo nas plataformas digitais como um todo”, completa.

Cruz apontou, por exemplo, a importância de criar meios de equilibrar as ferramentas de otimização de busca, garantindo a relevância da cobertura. “Temos que pensar em como criar esses manuais internos”, afirma.

Dica de leitura: a Ajor conversou com profissionais especializados em produção de conteúdo de organizações jornalísticas para as redes sociais. 

Cobertura das mudanças climáticas

“Costumávamos dizer que a emergência climática estava batendo à porta. Essa porta já foi arrebentada”, afirmou Maristela Crispim, fundadora da Eco Nordeste. O tema se faz presente na cobertura do jornalismo digital de modo transversal, desde a cultura aos impactos sociais Brasil afora. 

Dica de leitura: a Ajor, em parceria com o iCS (Instituto Clima e Sociedade), ofereceu sete bolsas para associadas desenvolverem reportagens sobre justiça climática no país. Confira os projetos.

Construção de vínculo com o público

Cofundador da Agência Lume, organização independente que atua em diversos bairros do Rio de Janeiro, Douglas Teixeira lembrou um dos principais desafios de veículos hiperlocais ou de nicho: a construção de um vínculo com a comunidade em que atuam, lutando contra a desinformação. Pensar em estratégias de gestão e de proximidade com o público é também uma das principais tendências para o jornalismo digital, especialmente o que atua em territórios específicos, segundo as organizações ouvidas pela Ajor.

Dica de leitura: a participação de leitores nas pautas é um meio de enfrentar a desconfiança no jornalismo. A Ajor conversou com organizações que já fazem esse trabalho.

Liderança feminina

Segundo o Punto de Inflexión, estudo realizado pela SembraMedia sobre o ecossistema de meios de comunicação digital publicado em 2021, quase 38% dos fundadores das organizações entrevistadas na América Latina eram mulheres. 

A diretora executiva da Agência Lupa, Natália Leal, lembrou da necessidade de apoio, segurança e acolhimento para mulheres em posições de liderança. O mesmo foi compartilhado por Jéssica Moreira, cofundadora do Nós, mulheres da periferia, organização na qual a gestão é compartilhada por seis mulheres, em uma equipe totalmente feminina. 

Jéssica ressaltou também que é importante que organizações especializadas em gênero, raça e território sejam priorizadas em processos de distribuição de recursos.

Foto: John Schnobrich/Unsplash.